Archive for November, 2010

Só rindo | Blog do Juca Kfouri 0

Post direto do meu Google Reader:

O juca já disse tudo.
É por isso que eu sempre fui, e continuo sendo, contra a Copa do mundo e contra a olimpíada no brasil.
Diria até que esse foi um motivo pr não votar no PT, não sei se outro partido faria diferente, mas trazer esses eventos para o brasil é um ERRO.

Juro que acho até graça de quem se propõe a discutir seriamente a escolha do estádio para a abertura da Copa do Mundo em São Paulo.

Jamais tive a menor dúvida, primeiramente, de que a abertura seria na Paulicéia, por motivos tão óbvios que não cabe repeti-los.

Jamais tive, também, dúvida de que não seria no Morumbi, simplesmente porque Ricardo I, e Único, não queria.

O estádio que serve o futebol mundial há 50 anos (decisões de Libertadores, sede do 1o. Mundial de Clubes da Fifa, de incontáveis jogos da Seleção Brasileira não só em Eliminatórias etc) não serve para a abertura da Copa só porque o cartolão imperial não quer.

E jamais tive dúvidas de que o estádio que receberia a abertura seria o do Corinthians, em Pirituba, como planejado no início, em Guarulhos ou em Itaquera, até mesmo na…

Dito isso, nada mais pode ser discutido verdadeiramente a sério.

E aí chega uma empreiteira de enorme porte, financiadora de quase todos os políticos importantes do país, e resolve fazer um agrado ao time do presidente da República que, era pule de 10, faria sua sucessora e pronto!

Se o projeto é só projeto, se falta saber de onde virá o dinheiro para financiar a ampliação do estádio que nem nasceu e já será ampliado, nada disso é fator impeça que se cumpra a vontade do cartolão imperial, amigo do presidente do Corinthians que é amigo do presidente da República e será da presidenta, a quem apoiou explicitamente, direito dele, por sinal.

Em último caso, o dinheiro virá de onde sempre vem: do seu, do meu, do nosso suado dinheirinho.

Está certo?

É claro que não está!

Mas está certo o que estão fazendo no Maracanã, com eloquentes prejuízos ao Fluminense e ao Flamengo, para não falar do bolso do contribuiente carioca, que paga a enésima reforma do Maracanã?

Ou no Mineirão, para azar de Cruzeiro e Galo?

Ou faz sentido erguer estádios gigantescos em Cuiabá, Manaus, Brasília, onde nem futebol profissional digno desse nome há?

Lembre-se que a Copa dura um mês e que cada estádio receberá cinco, seis jogos no máximo.

E depois?

Elefantes brancos passearão com nosso dinheiro, como, por exemplo, o Rei Pelé, em Maceió, e o Albertão, em Teresina, construídos durante a megalomania da ditadura brasileira.

Nem por isso, como se sabe, o futebol alagoano e o piauiense cresceram, ou as duas capitais ganharam com os estádios.

Não se está organizando uma Copa do Mundo no Brasil que seja do Brasil.

Mas sim a Copa do Mundo da Alemanha no Brasil.

E é você quem pagará a conta.

Em tempo: a culpa não é só do governo federal.

Os governos estaduais são igualmente culpados.

Via

Nudez 0

Não sei o quanto vocês lembram do seu passado, mas eu acho que eu lembro de muita coisa. Me pego pensando em coisas banais, e depois passo mais algum tempo tentando entender o porquê. Cenas que não foram especiais, mas que por algum motivo se fixaram na minha memória. Fico pensando no que aconteceria caso eu contasse a cena para as pessoas que também aprticiparam, será que lembram também? Que me achariam louco?

Uma dessas memorias volta e meia ressurge na minha mente. Lembro de um texto que li em minha apostila do Objetivo, talvez de português, não me lembro em que série eu estava, mas consigo visualizar a página, o texto e a charge anexada relacionada ao texto.
E hoje resolvi tentar achar esse texto, mas para isso só me lembro do tema e de uma frase: “A humanidade nua é feia”.
Bom, se for ver a onde eu trabalho, talvez possa ser uma explicação!

Nudez

A filha tentava convencer a mãe a ir à praia e a velha resistia:
estava muito idosa e gorda para vestir maiô.
— Mas, mamãe, eu já vi de maiô, na praia, muitas senhoras mais velhas e mais gordas do que você!
E a velha suavemente:
— Eu também já vi. Por isso é que não vou.
Para mim, o critério dessa velha é o critério certo em matéria de nudez, O que é feio se esconde. Um moço, uma moça, no esplendor da juventude, seus belos corpos podem se mostrar praticamente desnudos, de biquíni, de sunga, de cavado: assim tão enxutos, rijos, tostados, chegam a ser castos. Predomina a impressão de beleza e saúde sobre a sugestão erótica. E, depois, sabe-se que aquela floração é tão transitória! Deixem que os jovens fruam o instante passageiro, que usem e mostrem os corpos na sua hora de flor antes que chegue a hora da semente e do declínio.
Afirmam os nudistas, com perfeita lógica, que, todo o mundo andando nu, a nudez acostuma e deixa de escandalizar: sim, acredito que num campo de nudistas se acabe vivendo com a mesma naturalidade que numa sala de famz7ia. Aliás, quem convive com índios sabe disso: o hábito torna a nudez invisível O que eu tenho contra os nudistas é a exibição obrigatória da feiúra humana, o seu despojamento total, a miséria fisiológica sem um véu que a disfarce. O ridículo, a falta de dignidade de todo o mundo nu.
Certa amiga minha, que, numa praia da Noruega, de repente se viu dentro de um grande bando de gente nua, diz que o seu choque primeiro não foi o da vergonha, foi o do grotesco. As pelancas, os babados, os rins flácidos, os joelhos grossos. A velhota magra com seus ossinhos de frango assado, a quarentona de busto murchinho, o senhor ruivo de barriga redonda, braços e canelas tão finos e peludos que, se tivesse mais duas pernas, seria igual a uma aranha. A matrona obesa e o seu esposo idem e o par de jovens rechonchudos, de mãos dadas como dois porquinhos enamorados. A seca donzela machona de coxas de cavalete, e a falsa Vênus de cintura grossa, com o falso atleta de torso enorme e pernas curtas. Da tribo toda, praticamente só se salvaram os adolescentes e as crianças.
A humanidade nua é feia, não há dúvida. E por isso mesmo a gente se oculta debaixo da roupa. Talvez mais do que para o defender do frio, a roupa se inventou para encobrir o corpo e lhe dar dignidade. O que é bonito se mostra, o que é feio se esconde, é a lei de todas as culturas humanas. Nada mais triste do que a deterioração do que foi belo. Ninguém usa no dedo um anel sem a pedra, ninguém bota na sala um ramo de flores murchas.
(Rachel de Queiroz)