José Geraldo Couto: Dúvidas em Itaquera
Acho que ele disse tudo!!!
Tenho essas mesmas duvidas, por isso que sou contra. Não ao estádio do corinthians, sou contra a copa, e contra a copa em São Paulo
Dúvidas em Itaquera
Confusão entre paixão pessoal e interesse público marca discussão sobre estádio da Copa do Mundo
“COMO CORINTIANO, você vai falar bem da escolha da futura arena do Timão em Itaquera como o estádio paulistano da Copa-2014?”
Ouvi essa pergunta de vários leitores e amigos. E não soube o que responder.
Antes de mais nada, é preciso dirimir uma confusão muito comum em nosso país tão pobre de tradições democráticas e republicanas. Torcer pessoalmente por um clube não implica que, em minha função pública, que é a de jornalista, eu vá defender tudo o que ele faz ou festejar tudo o que supostamente o beneficia. Se o presidente Lula não consegue separar a esfera do público e do privado, acho que eu consigo, ou pelo menos tento.
Não tenho conhecimentos técnicos de engenharia nem de economia para entrar no mérito da viabilidade e da conveniência do projeto Itaquerão-2014. Sei que a escolha tem prós e contras. A forma como foi feita é no mínimo lamentável.
A interferência direta do presidente corintiano da República, a aprovação da CBF para um projeto que nem chegou a ler, a solução tardia e abrupta com cara de “carta tirada do bolso do colete”, tudo isso deveria deixar com o pé atrás o cidadão brasileiro, qualquer que seja seu time.
Por fim, a pergunta que não quer calar: será que não haverá mesmo injeção de verba pública na obra? E outra, mais inquietante: o que a Odebrecht ganhará em troca dos R$ 335 milhões previstos para a construção do estádio?“Não existe almoço grátis”, costumava dizer o dono e editor deste jornal, Octavio Frias de Oliveira. Ao ler o noticiário sobre o assunto, lembrei da sábia frase, que nos incita a uma saudável desconfiança diante dos poderes político e econômico.
Cabe, portanto, ficar de olho nos desdobramentos e consequências desse enorme conchavo.
Que a sofrida população da zona leste merece um grande estádio de futebol (assim como merece cinema, teatro, bibliotecas, boas escolas etc.), ninguém discute.
Mas será que o estádio projetado será adequado aos interesses e às posses dos moradores da região? Ou será concebido para receber o público bem-pagante da Copa e depois ficará como um monumento inútil, inacessível ao torcedor comum?
Nesse caso, seria mais útil gastar esse dinheiro, por exemplo, reformando o velho e bom Pacaembu. Que tal completar o anel da arquibancada, eliminando o horrendo tobogã? Que tal construir banheiros decentes para o torcedor e sua família? Mas isso não dá mídia, nem voto, nem benesses oficiais.









